sábado, 9 de novembro de 2013

Esquerda caviar versos esquerda sardinha em lata

Há uma clara divisão entre a esquerda “hardcore” e a esquerda caviar. Para quem leu A Revolução dos Bichos, de Orwell (e quem não leu está esperando o quê?), havia o porco esperto e o cavalo Sansão.
Aquele treinava os cães para seu uso pessoal e logo se mostrou afeiçoado aos prazeres do senhor humano, bebendo, jogando e fumando, aproveitando o que há de melhor na vida burguesa. Este era um crente fiel da revolução, e trabalhava cada vez com mais afinco pela “nobre” causa, sem enxergar nada mais ao lado.
Tipo petistas que logo aprenderam a usar ternos caros e frequentar os melhores restaurantes, ou então se tratar no mais caro hospital particular do país, enquanto o povão, que eles juram defender, precisa se contentar com migalhas e esmolas, ou o velho “pão e circo” oferecido pelo estado.
É preciso, portanto, fazer esta distinção aqui. Meu livro é dedicado à esquerda caviar, aos que falam em nome das bandeiras esquerdistas, enquanto usufruem daquilo que só o capitalismo pode oferecer. Por isso o termo hipocrisia no subtítulo.
Já a esquerda “sardinha em lata”, que já possui candidato a líder, é formada pelos idiotas úteis, que são justamente massa de manobra da esquerda caviar. Enquanto uns apelam para a retórica e fazem o contrário na prática, outros vivem feito cavalos fanáticos obrando por uma utopia estúpida, que serve apenas para enriquecer os primeiros. Merece até uma poesia, não é mesmo?

Regalias de ex-presidentes do Brasil custam R$ 2 milhões



Você sabe quais são os benefícios de um ex-presidente da República? José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva têm algumas regalias, mesmo após deixar o governo.


Não existe salário a ser pago para os ex-presidentes da República, apenas benefícios. Entre eles, são oferecidos oito servidores para cada um. São quatro funcionários para desempenhar função de apoio e segurança pessoal de cada um, dois motoristas e dois assessores. 

Os gastos com o pagamento desses serviços por ano é aproximadamente de R$ 510 mil, fora os gastos com gasolina, concertos e equipamentos. Juntos, portanto, eles somam cerca de R$ 2 milhões aos cofre públicos.


A lei que determina os direitos dos ex-presidentes é a nº 7.474, de 8 de maio de 1986, com as novas redações dadas pelas leis nºs 8889, de 21/06/94 e a de nº 10609, de 20.12.2002 e regulamentada pelo Decreto nº 6.381, de 27 de fevereiro de 2008.

Na lei não há menção a remuneração pagas a presidentes da República após o término dos seus mandatos, ou seja, não há salários para os ex-presidentes, apenas os benefícios já citados.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os Orleans e Bragança próximos do poder… em Portugal e na Sérvia

A terrível crise econômica e política por que passa a pátria-mãe lusa dos brasileiros faz reacender em muitos ambientes a discussão sobre a restauração – ou reinstalação, para os que não partilham de uma visão passadista – da monarquia portuguesa, na figura do chefe da Casa Real e, de jure, dinasticamente, Rei D. Duarte III de Portugal, conhecido em todo o país como Duque de Bragança, um dos muitos títulos que possui D. Duarte Pio, nascido em 1945, na Suíça, quando a lei de banimento dos Bragança ainda imperava na República Portuguesa… 
D. Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança e Orleans e Bragança, afilhado de batismo do Papa Pio XII (1876-1958), é o primogênito de D. Duarte Nuno (1907-1976), Duque de Bragança e neto e sucessor de D. Miguel I, o desditoso irmão de nosso D. Pedro I, e de D. Maria Francisca (1914-1968), nascida princesa de Orleans-e-Bragança, neta da Redentora. 
Ele casou-se na festa de Nossa Senhora de Fátima, em 13 de maio de 1995, em uma megaevento televisionado para Portugal e quase todos os países lusófonos, no Mosteiro dos Jerônimos, com a nobre portuguesa D. Isabel Inês de Castro Curvello de Herédia, da Casa dos Viscondes de Ribeira Brava, uma linhagem de administradores dos territórios insulares portugueses de Açores e Madeira. O casal (Casal Real para os portugueses ditos “monárquicos”) gerou os almejados três herdeiros da Coroa: o Príncipe da Beira, D. Afonso de Santa Maria (1996), a Infanta D. Maria Francisca Isabel (1997) e o Infante D. Diniz de Santa Maria (1999). 
D. Duarte, um bisneto de D. Isabel I que costuma definir Portugal como sua “pátria” e o Brasil como sua “mátria”, goza de uma estima considerável entre os habitantes do outrora Reino de Portugal e Algarves e seus antigos domínios coloniais, aí incluindo nosso País. Desde adolescente, ele visitou o Brasil inúmeras vezes, conheceu a Amazônia, encontrou e travou contato com muitas tribos indígenas; nesse ínterim, é válido salientar que ele e seu primo-irmão brasileiro, D. João Henrique, têm o espírito do avô, D. Pedro de Alcantara (1875-1940) e do tio-avô, D. Luiz (1878-1920), que adoravam as viagens, as expedições, os desbravamentos. 
Pois bem, em 5 de outubro de 2012 as autoridades portuguesas celebraram os 102 anos da proclamação de sua República, sem manifestações populares. A República Portuguesa, quando foi proclamada, em 1910, depôs D. Manuel II (1889-1932), jovem rei alçado ao trono pelo assassinato de seu pai e seu irmão no famoso Regicídio do Terreiro do Paço, em Lisboa, dois anos antes. Até hoje essa incruenta passagem da história lusa produz em poetas e escritores portugueses pró ou contra a monarquia textos candentes. A comemoração republicana exibiu cenas inusitadas: o Presidente Cavaco Silva empunhou a bandeira nacional de cabeça para baixo na Câmara Municipal de Lisboa e uma desempregada em pânico invadiu a festa e protestou contra a crise que assola o país. Tudo isso assistido por menos de 40 populares… (http://www.ionline.pt/portugal/5-outubro-cerimonia-marcada-bandeira-hasteada-ao-contrario). 
O último Bragança-Saxônia-Coburgo-Gotha reinante em Portugal, D. Manuel II,  morreu sem descendência em seu exílio inglês e parece ter deixado claro que os direitos dinásticos ao trono passariam ao ramo “miguelista” da Casa de Bragança, na pessoa de seu primo-sobrinho, D. Duarte Nuno, já citado. Casando-se com a prima brasileira (do ramo “constitucionalista” dos Bragança) em 1942, na catedral petropolitana, e dela gerando três filhos, D. Duarte Nuno afirmou-se como rei titular da quase totalidade dos monárquicos portugueses. Ele morreu em dezembro de 1976 e seu filho, igualmente D. Duarte, tornou-se o chefe da Casa e king-to-be. 
O príncipe serviu como piloto da Força Aérea Portuguesa em Angola entre 1968 e 1971, diplomou-se em agronomia em Lisboa e cursou a pós-graduação de Desenvolvimento Econômico da Universidade de Genebra. Se um plebiscito for proposto em Portugal para decidir se quer ou não D. Duarte como chefe de Estado vitalício e hereditário pode ser que algo surpreendente destitua o stablishment português e o mundo ouça falar em “volta da monarquia”, como se deu no Camboja, em 1993. 
Na festa republicana acima citada, ao tempo em que o Presidente Cavaco Silva falava aos políticos, D. Duarte de Bragança falava a centenas de monárquicos, no Palácio da Independência (antiga sede da Casa de Almada); leu um manifesto à Nação, em que critica duramente os sucessivos governos que têm administrado Portugal no parlamentarismo da “III República Portuguesa” (1974- ), considerando muitos de seus mandatários como irresponsáveis e corruptos. 
Aos analistas internacionais, em geral bem despreocupados com o assunto, fica a dica: acompanhem mais de perto os sucessos de D. Duarte e seus seguidores… 
Passando ao outro extremo europeu, vamos para o leste, mais precisamente os Bálcãs, terra de deliciosas paisagens, mas também de terríveis histórias bélicas. O antigo “barril de pólvora” da Europa está hoje bem mais pacificado, com seus povos tentando, a duras penas, o soerguimento e a reconstrução nacional. Do outrora Reino da Iugoslávia (literalmente, terra dos eslavos do sul), resta hoje apenas a República da Sérvia, país cuja dinastia nacional (a Casa de Karadjordjevic, ou seja, os descendentes do herói Karadjordje) forjou esse Estado entre o XIX e o XX, aproveitando-se do fim dos Impérios Turco-Otomano e Austro-Húngaro na I Guerra Mundial. As atuais repúblicas da Croácia, da Macedônia, da Eslovênia e, por fim, do Montenegro, todas promoveram a secessão do antigo estado dos Karadjordjevic que foi mantido durante os anos de comunismo (1946-1989) com a mão de aço do Marechal Josip Broz Tito (1892-1980), um socialista considerado “lhano” perto de seus vizinhos sanguinários da Cortina de Ferro. Isto sem falar da Bósnia-Herzegovina, hoje uma federação independente, mas de triste memória – sua capital, Sarajevo, foi palco do estopim da I Grande Guerra e de lutas fratricidas no anos 1990. 
Em 1991, o herdeiro do trono sérvio, Aleksandar Karadjordjevic, nascido em 1945 em uma suíte do hotel londrino Claridge´s, declarada especialmente território iugoslavo pelo Governo Britânico (princípio da extraterritorialidade), finalmente pisou o solo de Belgrado, para ele e sua família considerado sagrado. Conhecido como Aleksandar II, desde que seu pai morreu no exílio, em Illinois (EUA), é pentaneto de D. Pedro I, uma vez que sua avó paterna, a Rainha Marija (1900-1961), nascida princesa da Romênia, era neta da Infanta D. Antonia de Portugal, filha de D. Maria II… 
O príncipe – em linguagem técnica de genealogia dinástica “Sua Alteza Real o Augusto Senhor Aleksandar, Príncipe-Chefe da Casa Real da Sérvia etc.” – é o filho e sucessor do Rei Petar II da Iugoslávia (1923-1970), um afilhado de batismo do rei britânico George V (1865-1936), que não pôde contar com a ajuda das tropas do Reino Unido quando da deposição e do banimento, ao término da II Guerra Mundial. Ainda assim, ele exilou-se em Londres, onde nasceu-lhe o filho, que foi batizado por ninguém menos que o Rei George VI e sua filha-herdeira, Princesa Elizabeth, na Abadia de Westminster. O vídeo desse batizado histórico pode ser acessado na página oficial da dinastia real sérvia (www.royalfamily.org). 
Aleksandar teve uma infância complexa, visto que sua mãe, a Rainha Aleksandra (1921-1993), nascida princesa da Grécia e da Dinamarca, era instável emocionalmente. Foi criado pela avó Marija e enviado ao internato suíço Le Rosey. Depois, recebeu ampla formação militar na academia norte-americana de Culver e na britânica Mons Office Cadet School. Da parte de sua “royal godmother” recebeu sempre bastante afeição e, por este motivo, esteve presente em todos os eventos da Família Real britânica, sobretudo no período em que viveu em Londres. Isto inclui, óbvio, ter assistido ao enlace do Príncipe de Gales com Lady Diana Spencer, tanto quanto ao mais recente, do Príncipe William com Miss Kate Middleton. 
Casou-se em 1972, no palácio de Villamanrique de la Condesa, próximo de Sevilha, na Espanha, com a Princesa D. Maria da Glória de Orleans-e-Bragança, nascida em Petrópolis em 1946. O príncipe, que se estabeleceu como empresário nos Estados Unidos e na Espanha, chegou a passar temporadas em Petrópolis e no Rio de Janeiro. 
Ele e D. Maria da Glória tiveram três filhos: o herdeiro, Petar (1980) e os gêmeos Filip e Aleksandar (1982). De maneira que esses três príncipes da Sérvia são trinetos da Redentora e duplamente descendentes de D. Pedro I. Se o mais velho deles vier um dia a ser rei, será chamado de “Petar III”, o que significa “Pedro III da Sérvia”… 
Divorciando-se de D. Maria da Glória em 1985, ambos anularam o casamento: ele obteve do Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia a anulação e ela da Sacra Rota Romana. 
Aleksandar II uniu-se à cidadã grega Katherine Batis, filha do megaempresário Robert Batis, mas não gerou filhos. A princesa brasileira desposou D. Ignacio de Medina y Fernandez de Córdoba, duque de Segorbe etc., um dos filhos da Duquesa de Medinacelli, D. Victoria Eugenia de  Fernandez de Córdoba y Fernandez de Henestrosa. A Casa de Medinacelli é a dinastia ducal-principesca espanhola que, juntamente com a Casa de Alba, constitui a mais alta classe sócio-genealógica do país, diretamente abaixo da Casa Real (dinastia Borbón, ouBourbon, no original francês). 
Após a queda de Slobodan Milosevic (1941-2006), em outubro de 2000, os ventos democráticos proporcionaram aos príncipes da Sérvia não somente retornar em definitivo ao país, como advogar no Judiciário nacional o retorno de suas propriedades, confiscadas pelos comunistas em 1947. O antigo palácio real de Belgrado (chamado de “Palácio Branco”) e outras casas foram devolvidos aos Karadjordjevic, que residem oficialmente na capital desde julho de 2001. 
A família trabalha incessantemente pela instalação da monarquia constitucional-parlamentar no país. Aleksandar II e sua consorte, Princesa Katherine, usam de forma profícua a networking que construíram ao longo dos anos; os jovens príncipes, desportistas e guapos, fazem grande sucesso entre os jovens. 
Em 4 de outubro de 2012, os Karadjordjevic conseguiram fazer com que o governo da Sérvia repatriasse os restos mortais do Príncipe Pavle (1893-1976) e de sua mulher, Olga (1903-1997), nascida princesa da Grécia e da Dinamarca. O Príncipe Pavle da Iugoslávia foi o regente do Reino na menoridade do primo, Petar II, de outubro de 1934 a março de 1941. As cerimônias de Estado foram co-presididas pelo Presidente da República, Tomislav Nicolic, e o Príncipe Aleksandar, cabendo a condução dos ofícios sacros ao Patriarca Irinej I, supremo líder dos ortodoxos sérvios e um filo-monarquista declarado… 
É curioso notar que tanto em Portugal, quanto na Sérvia, as bandeiras nacionais restauraram os antigos brasões reais há mais de uma década. Pesquisas de opinião recentes mostram aumento significativo de simpatia pelo parlamentarismo monárquico em ambos os pequenos Estados. 
Uma fina ironia perpassa a possibilidade desses “Orleans e Bragança” de Portugal e da Sérvia retornarem ao poder. Eles pertencem ao que a imprensa brasileira chama de “ramo de Petrópolis da família imperial brasileira”. D. Duarte é o sobrinho e os meninos Petar, Filip e Aleksandar os netos do falecido D. Pedro Gastão (1913-2007), príncipe-titular de Orleans-e-Bragança. 
No Brasil, o ramo de D. Pedro Gastão e o ramo de D. Pedro Henrique (1909-1981) permanecem separados e o monarquismo certamente não é suficiente para uni-los. As causas de desunião são antigas e não dizem respeito, como muitos pensam e dizem, a direitos dinásticos. Trata-se do problema da herança das propriedades petropolitanas de D. Isabel. 
Em 1946, o príncipe-chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Pedro Henrique, perdeu para seu primo a causa em que defendia a anulação do negócio jurídico de venda das ações da Companhia Imobiliária de Petrópolis durante a II Guerra Mundial; advogou para ele o renomado civilista carioca Carlos de Saboia Bandeira de Mello (1890-1963). Contudo, a Justiça do Rio de Janeiro deu ganho de causa a D. Pedro Gastão e desde então a briga entre eles jamais cessou. Pois a contenda girava em torno do laudêmio resultante da enfiteuse do Centro Histórico de Petrópolis, cujos dividendos vão exclusivamente para o ramo primogênito de D. Isabel, enquanto o ramo secundogênito, especificamente a família de D. Pedro Henrique e D. Maria da Baviera (1914-2011), ficou em situação de quase-penúria. A irmã de D. Pedro Henrique, D. Pia Maria (1913-2000), casada com o conde francês René de Nicolaÿ, nunca passou apertos. 
A questão é complexa e não se restringe a uma história de “mocinhos” e “bandidos”. Para aumentar as desavenças, acresceu-se a vontade manifesta por D. Pedro Gastão, durante toda sua vida, de negar o ato de renúncia ao trono assinado em 1908 pelo primogênito de D. Isabel, seu pai. 
Por desejarem, D. Isabel e o marido, que seu herdeiro se unisse a uma moça de “família régia”, i.e., uma casa principesca reinante ou ex-reinante, eles convenceram D. Pedro de Alcantara a renunciar aos seus direitos sucessórios, no que concernisse ao Brasil, passando-os a D. Luiz. Na recente biografia deste príncipe, a historiadora paulista Teresa Malatian explicita que a renúncia não se deve exclusivamente a fatores genealógico-dinásticos, pois D. Luiz tinha muito mais interesse numa eventual restauração monárquica brasileira do que D. Pedro. Este, contudo, se sentia muito brasileiro e sofria com os desejos do pai, que o manietava no sentido de se assumir como “Príncipe Pierre de Orleans” e futuro “Conde de Eu”. 
A união de Isabel, princesa de Bragança e Gaston, príncipe de Orleans, celebrada em 15 de outubro de 1864, deu origem à Casa de Orleans-e-Bragança, que teria sinonímia com a Casa Imperial do Brasil se o casal tivesse reinado como D. Isabel I e D. Gastão (imperador-consorte) e o primogênito de ambos (D. Pedro) tivesse se tornado D. Pedro III. Nada disso ocorreu. 
Em 1908, após assinar a renúncia por si e os eventuais descendentes, D. Pedro casou-se com a Condessa Elisabeth Dobrzenska de Dobrzenicz (do Reino da Bohêmia, império habsbúrgico) e seu irmão-herdeiro, D. Luiz, desposou a Princesa D. Maria Pia das Duas Sicílias, princesa de Bourbon. Desses casamentos nasceram cinco crianças, do primeiro, e três do segundo. Todos receberam, na França, o nome civil de “Orléans-Bragance” ou “Orléans et Bragance”. 
Os oito netos da Redentora (D. Pedro Henrique, D. Isabel, D. Luiz Gastão, D. Pedro Gastão, D. Pia Maria, D. Francisca, D. João e D. Thereza) foram, todos, batizados em cerimônias em que a brasilidade era exaltada, e às quais afluíam, na medida do possível, os nobres brasileiros que viviam exilados em Paris e na França. A todos se lhes reconhecia a condição de “Príncipes Brasileiros nascidos no exílio”, ainda que nossa República negasse tal pretensão. Não vou entrar nas minudências históricas da condição genealógica desses príncipes; devo afirmar, contudo, que todos se sentiam brasileiros, para além das outras identidades, mormente a francesa, que puderam gozar e/ou partilhar no curso de suas vidas. Nascidos em solo francês e trinetos do último rei do país (Louis-Philippe I dos Franceses), os príncipes de Orleans-e-Bragança eram bilíngues desde o berço, falando Português e Francês todo o tempo. 
Foram criados como verdadeiros primos-irmãos, partilhando tudo, alegrias e tristezas. O destino encarregou-se de torná-los pessoas distantes umas das outras, como ocorre em muitas famílias numerosas e tradicionais… 
No fim de 1921, estavam mortos D. Isabel e dois de seus filhos: D. Luiz e D. Antonio. Sobravam o velho Conde d´Eu, alquebrado em anos, D. Pedro com mulher e filhos e D. Maria Pia, viúva, com os filhos. No ano seguinte (1922) a Nação Brasileira comemorou os 100 anos de sua independência e a família ex-reinante foi convidada pelo governo da República a retornar ao solo pátrio e receber as homenagens. Se o Conde d´Eu era o chefe daquela família de um ponto de vista moral e de organização interna, era ao pequeno D. Pedro Henrique, de 12 anos, que cabia a honrosa situação de “herdeiro da Coroa e chefe da Casa Imperial”. Morto o Conde d´Eu em agosto de 1922, em Águas Brasileiras, suas exéquias constituíram aos pequenos Orleans e Bragança que pisavam o Brasil pela primeira vez uma boa oportunidade de sentir o calor humano das demonstrações de apreço popular àquela estimada Família. 
D. Pedro de Alcantara, com a morte do pai, é o único príncipe adulto vivo. Ele retorna à França com os despojos mortais de D. Gastão, a fim de enterrá-los no mausoléu dos Orléans, na Capela Real de São Luís de Dreux, no Vale do Loire. Resoluto a voltar a morar na sua querida Petrópolis, mas preso à França pelas propriedades da família, o príncipe-titular de Orleans-e-Bragança — era esse seu título genealógico, uma vez que não se casara morganaticamente, que jamais renunciara ao nome de família e à primogenitura da linhagem nascida do casamento de seus pais — inicia o longo processo de inventário dos genitores. Ele fica com o Castelo de Eu e a viúva de D. Luiz, sua cunhada, com o palacete de Boulogne-sur-Seine. 
Embora senhor de Eu, D. Pedro nunca quis solicitar ao primo, chefe da Casal Real da França, seu título de “Conde d´Eu”, em prova cabal de que se sentia mais brasileiro do que francês. Por outro lado, apesar de não esconder certa mágoa pela renúncia ao trono praticada em 1908, nunca a negou. Respeitou a condição do sobrinho e, enquanto viveu, aparou as eventuais arestas e rusgas que podiam nascer do incômodo familiar. 
Ele, a mulher e a cunhada preocupavam-se com o futuro das crianças. Em 1931, ele casou sua primogênita justamente com o futuro herdeiro dos Orléans, o Delfim de França, Henri (1908-1999), Conde de Paris. Após o faustoso casamento, D. Pedro resolveu voltar ao Brasil e se instalar na antiga “Casa dos Semanários”, ou seja, o palacete atrás da residência de verão de D. Pedro II, em Petrópolis, que servia de pousada aos nobres que se revezavam no “serviço do Paço”. 
Embora não fosse, de um ponto de vista dinástico, o “Príncipe do Grão-Pará”, título que a Constituição do Império (art. 105) lhe garantiu no nascimento e pelo qual foi conhecido e reverenciado durante todo o tempo em que vivera aqui, D. Pedro, em clara demonstração mais afetiva do que racional, intitulou a residência de “Palácio Grão-Pará”, nome pelo qual os petropolitanos conhecem o prédio até hoje. 
Viveu nesse solar da Região Serrana fluminense até 1940, quando morreu. Na década de 1990, D. Pedro Gastão trasladou para a Catedral de São Pedro de Alcântara os despojos do pai, bem como os da mãe, D. Elisabeth, que morrera em Portugal, em 1951. 
Se o “ramo de Petrópolis” pode reconstituir o Reino de Portugal e o Reino da Sérvia, o “ramo de Vassouras”, herdeiro do Império do Brasil, parece estar longe da possibilidade de remonarquizar os brasileiros… Ainda assim, em abril de 1993 o plebiscito previsto nas disposições transitórias da Constituição de 1988 foi realizado e a monarquia parlamentar recebeu cerca de 13% dos votos válidos, o que é um excelente resultado, dada a ampla falta de conhecimento do que represente essa forma de governo nos dias atuais, mesmo entre uma quantidade considerável de historiadores, juristas e outros cientistas sociais.
Seja como for, estão todos, príncipes e monarquistas brasileiros, rezando para que os sérvios e os portugueses coroem Aleksandar II e D. Duarte III. Será que os céus atenderão suas preces?
o
Bruno de Cerqueira (33) é historiador, monarcólogo, especialista em Relações Internacionais, professor de Cerimonial e Protocolo,indigenista especializado (analista) da FUNAI e gestor do IDII. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Entrevista de D. Luiz à "Gazeta do Povo"


"FOI UMA EMANCIPAÇÃO DENTRO DA MESMA FAMÍLIA"


Com o título acima, o "Gazeta do Povo", importante jornal de Curitiba, estampou, em 7 de setembro último, entrevista com o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança.
Segue a íntegra:

O Brasil foi o único país das Américas que, quando se tornou independente, não se tornou uma república. Por que isso aconteceu e por que isso foi importante para o país na época?
Essa diversidade de rumos esteve em boa medida determinada pelo anterior curso dos domínios português e espanhol na América. A atitude pífia do [espanhol] Rei Fernando VII face a Napoleão insuflou os ambiciosos, conduzindo à ruptura com a Espanha e à adoção da forma republicana de governo. Diferentemente de seu cunhado espanhol, o Príncipe Regente de Por­tugal, futuro D. João VI, não se submeteu ao ditador, transferindo a Corte e o governo real para o Brasil e impulsionando aqui uma vigorosa transformação das instituições públicas. D. João VI gostava muito de nossa terra, se tornara benquisto e aqui queria ficar, mas as cortes portuguesas impuseram seu regresso a Portugal. Aconselhou ele então ao filho primogênito D. Pedro, que aqui deixava como Regente, a tomar a Coroa. A independência brasileira foi assim: não uma ruptura sangrenta, mas uma emancipação dentro da mesma família, com todos os bons efeitos que isso pode trazer para uma nova Nação.

Por que a monarquia seria o melhor regime para o Brasil?
A monarquia é o regime que melhor corresponde à boa ordem colocada por Deus na Criação, garantindo as três condições básicas para a existência e desenvolvimento de uma Nação: unidade, estabilidade e continuidade. Prevaleceu largamente ao longo da história dos povos civilizados. Ano após ano os primeiros lugares nos índices de renda per capita e do IDH são ocupados por monarquias. Durante o 2º Reinado, o Brasil foi um dos países mais respeitados do mundo, com instituições sólidas, moeda estável, crescimento acelerado e grande prestígio do Imperador D. Pedro II, que chegou a ser árbitro de litígios entre potências europeias.

Qual o papel do senhor hoje enquanto chefe da Casa Imperial e herdeiro do trono?
Meu papel — como o de todo Chefe de Casa não reinante — é o de preservar o rico legado de nosso passado imperial, fazendo-o transitar de geração em geração para que se mantenha vivo e conhecido entre os brasileiros, alimentando, ademais, a apetência para o retorno da monarquia entre nós. A formação da nova geração de príncipes brasileiros, meus sobrinhos, é assim um cuidado constante.

Quem são os monarquistas brasileiros hoje?
No plebiscito de 1993, sobre regime e forma de governo, apesar de termos contra a máquina de propaganda do Governo, 13% dos votos válidos foram pela monarquia. Hoje não se encontra um brasileiro que em sã consciência diga que a república deu certo. E há um número crescente de brasileiros que veem a restauração do regime monárquico, que deu tão certo no passado, como sendo uma grande alternativa para a crise moral que assola o país.

Quais são as características de um bom soberano?
A principal característica de um bom soberano é saber encarnar as virtudes de seu povo, sendo delas espelho e ao mesmo tempo favorecedor. Como um bom pai, o soberano deve incentivar as qualidades de seus filhos, ampará-los em suas debilidades e coibir os seus erros. Deve ser muito respeitoso das autonomias dos indivíduos e dos grupos sociais e ao mesmo tempo um padrão inatacável de moralidade.

Por quais meios a monarquia poderia ser implantada no Brasil? O senhor acha que este processo pode acontecer em breve?
Uma verdadeira monarquia não pode ser implantada pelo golpe de força de um grupo, mas deve vir organicamente da aspiração de conjunto da Nação. Aspirações dessas ocorrem na vida dos povos em diferentes circunstâncias, o mais das vezes pela irremediável falência de uma situação anterior. No Brasil de hoje há um profundo descontentamento, patenteado aqui nas recentes e surpreendentes manifestações de rua, um grande anseio por algo diferente, algo melhor, algo que já existiu e que perdemos... Quando esse anseio se tornar majoritário, a monarquia — acabada expressão política da civilização cristã — poderá ser restabelecida no Brasil de modo estável e benfazejo. Quando isso se dará, só Deus Nosso Senhor o sabe, mas, creio, bem antes do que poderia parecer à primeira vista.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Como foi que a Islândia fez uma nova Constituição usando o facebook


Entrevista concedida a Valquíria Vita, publicada em edição impressa da revista Superinteressante
CUTUCARAM A CONSTITUIÇÃO
Enquanto no Brasil manifestantes saíram do Facebook e foram para a rua, na Islândia eles saíram às ruas e depois voltaram para reescrever a Constituição no próprio Facebook.
O cientista político islandês Eiríkur Bergmann conversou com a Supersobre o processo.
Até cinco anos atrás, a Islândia é que parecia estar deitada em berço esplêndido: todo mundo sabia ler, 95% da população tinha acesso à internet, a economia ia muito-bem-obrigado e não existia desemprego. Só que durante a crise financeira que tomou conta do mundo em 2008, o pequeno país nórdico (pequeno mesmo, 82 vezes menor que o Brasil) passou por uma barra tão pesada que a situação chegou a ser descrita pelo FMI como uma “crise financeira de proporções catastróficas”.
Os maiores bancos da região faliram e a moeda local sofreu uma desvalorização de 80% em relação ao euro. A taxa de desemprego aumentou nove vezes, a dívida do país chegou a 900% do PIB e, bom, as pessoas começaram a empobrecer.
Os islandeses deram uma de argentinos e foram às ruas protestar batendo panelas quando o governo quis aplicar medidas exigidas pelo FMI em troca de uma ajuda financeira bilionária. Bateram tanta panela que o primeiro-ministro foi obrigado a renunciar, e novas eleições foram convocadas. Mesmo assim, eles não ficaram satisfeitos.
De repente, os protestos já não eram mais contra as medidas de austeridade, mas contra tudo que parecia errado no país (soa familiar?). No caso da Islândia, o que o povo realmente queria era uma nova Constituição. Foi aí que o Facebook entrou na jogada.
A rede social foi a principal plataforma escolhida pelos islandeses para recolher contribuições para a nova Constituição. O processo foi mediado por um conselho de 25 voluntários apartidários, que postava os textos no Facebook depois de cada reunião para que o resto da população pudesse debater a respeito.
E foi assim que a Islândia ficou conhecida mundialmente por ter elaborado a primeira Constituição crowdsourced da história. O texto final passou por referendo e foi aprovado por dois terços dos islandeses em 2012. Está até agora aguardando aprovação do Parlamento (Brasil e Islândia também têm suas semelhanças), mas já serviu de exemplo para destacar a força das redes sociais na construção de uma nova forma de democracia.
Um daqueles 25 conselheiros, o cientista político Eiríkur Bergmann, diretor do Centro de Estudos Europeus da Bifröst University, enfrentou uma viagem de 24 horas da Islândia para o Brasil para fazer uma palestra sobre o futuro dos Estados democráticos. Aproveitou para falar sobre o uso da tecnologia pela democracia e para dar sua opinião sobre a viabilidade de um processo parecido por aqui.
Como vocês receberam sugestões para a nova Constituição?
Por alguma razão, todos na Islândia estão no Facebook, então esse foi o principal portal. Criamos uma página onde as pessoas podiam mandar sugestões e comentar, e nos dividimos em comitês para analisar os assuntos.
As pessoas também mandaram sugestões pelo Twitter, e-mail, correspondências, ligaram e vieram pessoalmente até nós. A decisão que tomamos foi que não importava de que maneira elas viriam, só queríamos que participassem. Se quisessem mandar um pombo com uma mensagem, podiam fazer isso também. Recebemos 3.600 sugestões formais.
Como foi tomada a decisão de criar um canal no Facebook para que a população se manifestasse?
Existiram muitos motivos para isso. Um foi que existia alguma animosidade entre o conselho eleito e o Parlamento, e sabíamos que isso poderia ser uma estratégia para ter o apoio do público. E como ter o envolvimento do público? Botando no Facebook.
Entre os 25 conselheiros representantes, houve quem dissesse que devíamos desligar o celular, fechar a internet e apenas escrever o texto e trazer ao público quando estivesse completo. Mas decidimos fazer completamente o oposto.
Nosso time técnico cuidou de todas as portas de entrada de opinião. Convocamos toda a população a participar. Postamos até nossos telefones particulares para as pessoas ligarem se quisessem. Postávamos todo o nosso trabalho online imediatamente para as pessoas debaterem. E desse debate tirávamos a vontade do público e integrávamos no próximo round de postagens.
E as pessoas levaram isso a sério?
Essa foi a parte maravilhosa disso. Normalmente, na Islândia, temos discussões acaloradas sobre tudo, as pessoas atacam as gargantas umas das outras nos comentários, temos discursos muito negativos e comentários muito duros e pessoais.
O que as pessoas já postaram sobre mim, meu deus! E isso acontece com todo mundo. Mas, com esse assunto, por alguma razão, ninguém fez comentários negativos. A questão é que todos queriam causar impacto. Quando você convida as pessoas, tem de escutar o que elas têm a dizer.
E elas levaram a sério porque sabiam que o que dissessem também seria levado a sério. Deixamos claro para elas que seus comentários realmente importavam, e como resultado tivemos comentários muito mais responsáveis.
Quando você dá poder às pessoas, e diz a elas que suas vozes realmente importam, elas tomam mais cuidado com o que dizem. Eles sentiram que estavam participando de verdade, não apenas assistindo à recuperação da Islândia. Isso teve efeito de cura na sociedade. Foi um jeito construtivo de avançar, em vez de ficar nos protestos.
Se o povo não tivesse sido parte desse processo, você acha que a Constituição teria sido diferente?
Sim. Por exemplo: capítulos importantes sobre recursos naturais e direitos humanos sofreram grande impacto com a participação do público. Se a Constituição tivesse sido criada pelos parlamentares, teria sido mais conservadora.
O quanto a crise econômica que afetou a Islândia influenciou esse movimento?
Em 2008, a Islândia foi a primeira a entrar em colapso. Nossos bancos foram à falência em apenas uma semana. Isso foi um choque e houve um grande senso de crise. E crises abrem espaço para discursos políticos, fazem surgir novos pensamentos. Além disso, tivemos uma sociedade receptiva, homogênea o suficiente para compreender algo assim, e tecnológica o bastante para que as pessoas participassem.
Além da crise, o que mais colaborou para que esse projeto desse certo na Islândia?
Foi uma vantagem sermos um país pequeno, onde é fácil conseguir que as pessoas se envolvam. Somos poucos, mas o suficiente para causar impacto, se quisermos. Fora isso, mais de 95% da população tem internet e 100% é alfabetizada. Os islandeses são educados, têm acesso à mídia.
Uma iniciativa como essa poderia funcionar em um país maior?
O processo aconteceria de um jeito diferente, mas poderia funcionar, sim. Acho que o que vale é o convite para que as pessoas participem, que é quase mais importante do que elas participarem de fato. Também é fundamental saber que as necessidades são diferentes em lugares diferentes. Você não pode forçar uma mudança em uma sociedade que não precisa dela. Tem de haver uma demanda por mudanças.
Isso daria certo no Brasil?
Sim, talvez mais certo do que em outros países, porque vocês têm uma herança muito interessante de participação popular. Claro que a maioria não participaria, mas uma parte, sim. Eu acredito que esse tipo de exercício vai ser cada vez mais comum.
Há quem chame essa de uma nova forma de democracia direta por meio da internet. Você concorda?
A nova Constituição foi esboçada por 25 pessoas, que receberam sugestões e impactos do público em geral. Então houve um filtro, isso não é democracia direta.
Mas o senhor acredita que esse é o caminho? Transformar pela internet?
Estamos em um ponto de virada no que diz respeito ao desenvolvimento da democracia. Agora, estamos nos movendo para uma forma mais participativa de democracia.
Eu sinto que essa é a primeira vez que a tecnologia pode ser usada democraticamente. Temos essa tecnologia há anos, mas não tínhamos uma população pronta para isso. Até agora. Quando começarmos a ver esses exemplos se acumulando, vai ser mais fácil dar um passo para frente e realmente integrar mecanismos participatórios na tomada de decisão.
Eu acredito que organismos participativos são importantes para aumentar processos democráticos representativos tradicionais, trazendo a tomada de decisões de volta para as pessoas. As mudanças estão vindo, quer você goste ou não, concorde ou não.
O desafio é se organizar para que essas mudanças sejam construtivas. Não sabemos o que vai acontecer. E isso pode ser usado para o bem ou para o mal.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Discurso bombástico - Senador Antonio Carlos Magalhães

"quero dizer aos comandantes militares reajam enquanto é tempo, antes que o Brasil caia numa ditadura sindical presidida pelo homem mais corrupto que já chegou ao governo da República." 
Senador Antonio Carlos Magalhães PFL BA